É TEMPO DA EUROPA OLHAR PARA A FRENTE

É tempo da europa olhar para a frente

Com o título É tempo da europa olhar para a frente, no passado dia 27 de junho, no seguimento do referendo favorável à saída do Reino Unido da União Europeia, o Cardeal Reinhard Marx, Presidente da COMECE – Conferência de Bispos da Comunidade Europeia (www.comece.eu) – emitiu um comunicado recordando que, apesar da COMECE o  considerar como muito lamentável, o resultado deste referendo deve ser respeitado.

Com efeito, a União Europeia é um projeto de comunidade e de solidariedade, e a saída deliberada de qualquer membro é sempre dolorosa e tem consequências para todos. No entanto, os laços culturais e espirituais atualmente existentes não só devem ser perseverados e usados, mas também reforçados no futuro.
Os passos subsequentes, das negociações concretas sobre a saída e as correspondentes modalidades, requerem responsabilidade e reto sentido das proporções a todas as partes interessadas. Os mais necessitados e os mais vulneráveis, em particular, não podem ser vítimas deste processo, nem no Reino Unido nem na União Europeia.
Depois deste referendo, É tempo da europa olhar para a frente. A decisão do eleitorado britânico desafia a União Europeia e os seus Estados Membros sobre questões acerca dos seus objetivos e das suas tarefas.
A União Europeia precisa de novo começo. Precisamos de repensar a Europa de outro modo. As deliberações sobre o futuro desenvolvimento da União Europeia devem assentar numa base social alargada. Europa e União Europeia são uma obrigação para todos, porque só seremos capazes de construir um bom futuro se as nações da Europa estiverem unidas.

Nesta altura do comunicado, o Cardeal Reinhard Marx lembra que também se põe a questão de saber como conseguir o “verdadeiro humanismo europeu” e refere a exortação do Papa Francisco aos europeus no seu discurso na cerimónia de receção do prémio Carlos Magno. Discurso infelizmente pouco difundido e de que apresentamos um resumo em texto separado.
Entretanto, a Europa não pode ficar presa na auto reflexão. Os povos europeus e as nações têm uma responsabilidade moral para com o mundo, as regiões pobres, a integridade da criação e a redução da mudança climática.
O respeito da lei e uma prospetiva de vida em paz e alto nível socio-economico fazem da Europa um polo de atração para muitos povos. A União Europeia também tem de incluir esta responsabilidade global entre as condições políticas em mudança.
O crescente nacionalismo de algumas regiões não se pode tornar outra vez origem de delimitação ideológica, hostilidade e discórdia. Como Igreja, comprometemo-nos nestes objetivos com todo o empenho.