“Evitar a gravidez não é um mal absoluto”

Entrevista com o Papa FRANCISCO no regresso do México -
“Evitar a gravidez não é um mal absoluto”,

destaca o Papa Francisco sobre o vírus "zika" durante o voo de volta do México
Tópicos de uma entrevista concedida pelo Papa FRANCISCO a Jesús Bastante de «Religión Digital», durante a sua viagem de regresso da deslocação ao MÉXICO, publicada em italiano pela Sala de Imprensa do Vaticano
“A pedofilia é uma monstruosidade, porque um padre é consagrado para levar uma criança a Deus e aí se aproveita dela em um sacrifício diabólico, destruindo-a”.
O Papa Francisco foi contundente em sua condenação dos abusos sexuais durante o voo de volta do México. Respondendo a perguntas dos jornalistas, Bergoglio assinalou que “um bispo que transfere um padre de paróquia quando se descobre que é um pedófilo é um inconsciente, e o melhor que pode fazer é apresentar sua renúncia. Claro?”
Durante a entrevista de 45 minutos tocou-se em todos os temas:

  • narcotráfico;
  • o histórico encontro com Kirill;
  • uma hipotética viagem à China;
  • a questão dos divorciados recasados;
  • o uso de preservativos em casos como o do vírus zika;
  • a relação de João Paulo II com uma teóloga polaca, ou;
  • ​as polémicas declarações de Donald Trump, que quer deportar 11 milhões de imigrantes dos Estados Unidos.

​“Digo apenas: este homem não é cristão se é que diz isto; deve-se ver se disse as coisas dessa maneira, e dou o benefício da dúvida”, respondeu o Papa.
“O Papa não se imiscui na política italiana”, assinalou o Pontífice sobre as leis de uniões civis no país transalpino.
“Evitar a gravidez não é um mal absoluto”, destacou ao ser perguntado sobre o ponto particular em casos extremos, como no risco de contrair o vírus zika .

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Santo Padre, há algumas semanas há muita preocupação em muitos países latino-americanos, mas também na Europa, sobre o vírus zika . O risco maior seria para as mulheres grávidas: há angústia. Algumas autoridades propuseram o aborto, ou de se evitar a gravidez. Neste caso, a Igreja pode levar em consideração o conceito do mal menor?

O aborto não é um mal menor: é um crime. É descartar um para salvar o outro. É aquilo que a máfia faz. É um crime. É um mal absoluto. Sobre o mal menor... o de evitar a gravidez... Falamos em termos de conflito entre o quinto e o sexto mandamento. Paulo VI, o Grande, numa situação difícil, na África, permitiu às religiosas usar anti contracetivos para os casos de violência. Não confundir o mal de evitar a gravidez, sozinho, com o aborto.

O aborto não é um problema teológico: é um problema humano, é um problema médico. Mata-se uma pessoa para salvar uma outra – no melhor dos casos. Vai contra o Juramento de Hipócrates que os médicos devem fazer. É um mal em si mesmo, mas não é um mal religioso a princípio: não, é um mal humano. Além disso, evidentemente, já que é um mal humano – como todos assassinatos – é condenado.

Ao contrário, evitar a gravidez não é um mal absoluto: e, em certos casos, como neste, como naquele que mencionei do Beato Paulo VI, era claro. Também eu exortaria os médicos para que façam tudo para encontrar as vacinas contra estes dois mosquitos que trazem este mal: sobre isto se deve trabalhar.

Para ler a entrevista siga esta ligação para a página de www.ihu.unisinos.br