DONALD TRUMP - Do Pré-Fascismo ao Populismo: como chegar?

DONALD TRUMP - Do Pré-Fascismo ao Populismo: como chegar?

Richard Falk, no texto que apresentamos, a partir do discurso de 20 de janeiro, de Donald Trump, faz uma reflexão acerca do comportamento do presidente dos EUA, e dos indícios de comportamentos pré-fascistas que dele decorrem. Segundo o pensamento do autor do texto, “a América nunca foi testada como é agora”, excluindo a Grande Depressão ocorrida no país (Crise de 1929), "talvez, nem desde a Guerra Civil Americana tenha estado tanto em jogo, e em risco".
Diz ainda o articulista, «O endosso do nacionalismo excludente que eleva a divisa "América Primeiro" ​​ao status de Primeiro Princípio, constrói um muro contra o seu vizinho latino, adota uma postura cruel e punitiva contra muçulmanos e imigrantes indocumentados, a hostilidade aos direitos das mulheres…» 
Perante isto, o que fazer?
Continua o articulista «Ainda é possível, nos Estados Unidos, organizar, protestar e opor-se sem receios sérios de represálias ou detenções. Os média podem expor, ridicularizar e criticar, sem encerramentos ou ações punitivas, enfrentando apenas os tweets irritados, e os insultos de Trump, embora essa reação não deva ser minimizada, pois poderia ter um…»

Há todo um trabalho a fazer, a partir dos cidadãos, para impor o respeito por toda a pessoa humana, qualquer que seja a sua origem, ou cor de pele. Os tribunais e a própria estrutura da sociedade americana, tem mecanismos de defesa a utilizar.
Esta reflexão de Richard Falk, leva-nos a pensar que os indícios "pré-fascistas" não estão visíveis somente nos EUA, se analisarmos bem, poderemos também encontrar os mesmos "indícios" na Europa, e nesta, não vemos grande reação ativa consciente.

Como exemplo, poderemos perguntar-nos o que significa, o seguinte texto retirado do programa do «Front National» francês, da candidata à Presidência da República Francesa, Marine Le Pen:
…« ENCONTRAR FRONTEIRAS QUE PROTEJAM E ACABAR COM A IMIGRAÇÃO DESCONTROLADA. … / …
25 Tornar impossível a regularização ou naturalização de estrangeiros ilegais. Simplificar e automatizar a sua expulsão.
26 Reduzir a imigração legal de um total anual de 10.000 Acabar com o agrupamento automático e  reagrupamento familiar, bem como a aquisição automática de nacionalidade francesa por casamento. Suprimir as bombas de sucção da imigração. 27 Suprimir o direito de solo: a aquisição da nacionalidade francesa só será possível por descendência ou por naturalização, cujas condições serão também mais exigentes. Eliminar a dupla nacionalidade extraeuropeia.  … / … »

Urge a necessidade – urgente – de que seja utilizada toda energia gerada, para a construção de uma muralha de fogo, «firewall», que se oponha e afaste a ameaça fascista. Devemos recordar que, Adolf Hitler chegou ao poder por via democrática,  e depois, procedeu como sabemos.
Recordemos ainda o que foi escrito pelo Dr. Martin Luther King, na sua famosa Carta da "Birmingham City Jail" - « ... Acabei de referir a criação de tensão como uma parte do trabalho do resistente não violento. Isto pode soar um pouco chocante. Mas devo confessar que eu não tenho medo da palavra "tensão". Eu, sinceramente, tenho trabalhado e pregado contra a tensão violenta, mas há um tipo de tensão não-violenta construtiva que é necessária para o crescimento. Assim como Sócrates sentiu que era necessário criar uma tensão na mente, para que as pessoas pudessem crescer a partir do escravidão de mitos e meias-verdades para o domínio irrestrito da análise criativa e avaliação objetiva, temos de ver a necessidade de ter moscardos não-violentos para criar o tipo de tensão na sociedade que ajudará os homens a subir das profundezas escuras do preconceito e do racismo às majestosas alturas da compreensão e da fraternidade. …»
in: The Atlantic Monthly; August 1963; The Negro Is Your Brother; Volume 212, No. 2; pages 78 - 88

Abel Varzim, na sua «Procissão dos Passos», ao descrevê-la de acordo com o seu ponto de vista, afirma: “Tudo isto flagela, dilacera, crucifica o Corpo de Cristo, como nunca talvez na História da Humanidade.”
Faça cada cidadão a sua parte, em defesa dos direitos humanos, tendo em atenção qua a não-violência não procura derrotar ou humilhar o adversário, mas a sua amizade e compreensão. O resistente não-violento deve frequentemente expressar seu protesto através de não-cooperação ou boicote, mas percebe que estes não são fins si mesmos
Lutemos portanto, na nossa área de influencia, construtores da Paz e não do Ódio!
Lisboa - 2017, fevereiro

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O Pré-fascismo de Trump e Progressivas Oportunidades de Populismo
A Lúgubre Cartografia de um Estado Pré-Fascista  
Pontos de Partida

 O discurso inaugural de Donald Trump, em 20 de janeiro, levou-me a refletir sobre o que poderia significar viver num estado pré-fascista. Depois de refletir sobre passagens-chave do discurso, e de conversas com amigos, cheguei à conclusão de que todos os elementos estavam no lugar, apesar das imprecisões de um demagogo. No entanto, não duvido que existam muitos ideólogos nos corredores, talvez agora confortavelmente situados na Ala Oeste, prontos a suavizar os pontos conceituais mais controversos, e a acrescentar uma conceção ideológica, dando-lhe assim uma aparência de coerência. Considerando os atropelos diários que emanam da Casa Branca, desde o choque inaugural, os próximos anos serão duros para todos nós, com muitas barbaridades a ser preparadas para os mais vulneráveis.

Naturalmente, que a Marcha das Mulheres em 21 de janeiro foi temporariamente redentora, e se tal energia poder ser mantida, será, potencialmente, transformadora. É estranho admiti-lo, mas poderá haver cooperação tácita e eficaz, entre o «deep state» [forças armadas, serviços secretos, departamentos governamentais, grandes multinacionais, etc.] e um populismo progressista, convergentes em torno de suas ......

Ler restante texto de Richard Falk