POMPA e CIRCUNSTÂNCIA

POMPA e CIRCUNSTÂNCIA

Estamos habituados a olhar para as cerimónias religiosas, nomeadamente nos Templos Católicos, nos seus aspetos exteriores, que são aqueles que chamam a nossa atenção. O objetivo do "cerimonial" praticado não é inócuo pois ele, se bem utilizado, predispõe os crentes para um contato mais íntimo com a «TRANSCENDÊNCIA», objetivo último do culto religioso, qualquer que seja a religião praticada por cada um. Acontece porém frequentemente que,  os executores do cerimonial, desvirtuando o objetivo e o sentido da cerimónia, se enchem de orgulho e entendem que são, eles próprios, seres privilegiados situados num patamar superior, com o dever de orientar os demais, seus inferiores. Vemos isso muitas vezes.

As cerimónias no Vaticano não escapam a estas realidades, e por isso, depois do cerimonial do Consistório Ordinário Público, de 14 deste mês de fevereiro de 2015 para criação de novos Cardeais e da imposição dos barretes, parece-nos importante lermos a Homilia que Papa Francisco proferiu na Capela Papal: 
...«A dignidade cardinalícia é certamente uma dignidade, mas não é honorífica. Assim no-lo indica o próprio nome – «cardeal» –, que evoca a «charneira», a junção cardinal, principal; não se trata, portanto, de algo acessório, decorativo que faça pensar a uma honorificência, mas de um eixo, um ponto de apoio e movimento essencial para a vida da comunidade. Vós sois «junções cardinais» e estais incardinados na Igreja de Roma»...

LER AQUI A HOMILIA

É também marcante a Homilia que proferiu, durante a Eucaristia celebrada com os novos Cardeais, no dia seguinte
: ...«A compaixão leva Jesus a agir de forma concreta: a reintegrar o marginalizado. E estes são os três conceitos-chave que a Igreja nos propõe na liturgia da palavra hodierna: a compaixão de Jesus perante a marginalização e a sua vontade de integração.»...

e mais adiante:

... «Amados novos Cardeais, esta é a lógica de Jesus, este é o caminho da Igreja: não só acolher e integrar, com coragem evangélica, aqueles que batem à nossa porta, mas sair, ir à procura, sem preconceitos nem medo, dos afastados revelando-lhes gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos. «Quem diz que permanece em [Cristo], deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2, 6). A disponibilidade total para servir os outros é o nosso sinal distintivo, é o nosso único título de honra!»...

A Homilia do Papa é um documento que merece ser lido, pois recoloca a tónica na "compaixão", no "acolhimento" no "serviço aos outros".

Leia aqui a Homilia da Missa