Primeiro de MAIO - «Dia do Trabalhador»

Primeiro de MAIO - «Dia do Trabalhador»

Comemorou-se na passada segunda-feira o «Dia do Trabalhador» estabelecido a partir dos acontecimentos de Chicago de 1886, e outros. É um dia que marca a necessidade de uma vigilância e intervenção constantes, contra as tiranias e as explorações, vigilância que tem de ser levada a cabo por todos os homens de Boa Vontade, quer sejam «gregos» ou  «troianos», «africanos» ou «asiáticos», «políticos» ou «trabalhadores».
No Primeiro de MAIO de 1948, o Jornal «O TRABALHADOR», do qual Abel Varzim era um dos animadores, no seu numero 16, da segunda série, trazia o seguinte Artigo de Fundo: 
«O AMOR E A JUSTIÇA» - O «Diário de Lisboa», de 26 de Abril publicava o seguinte eco: 
«Segundo Schuman, a liberdade e a justiça são os princípios essenciais da vida Cristã. É bom não esquecer também o Preceito do amor que condiciona a liberdade e a justiça:
- «Amai-vos, amai-vos uns aos outros».
Porque há tantos séculos estas palavras, cheias de via, são letra morta Para os que interpretam os Evangelhos tendenciosamente, como se nelas não estivesse a própria verdade»?
Gostaríamos de ver mais clara a intenção do comentário. Há quem interprete os Evangelhos tendenciosamente? Mas também há quem os queira interpretar com alma, por um ideal ardente, capaz de transformar o mundo. Dostoiévscki punha as suas ideias na boca dum doido, convencido como estava de que é preciso ser maluco para exprimir ideias novas. Os homens que trazem ideias novas são sempre  considerados como loucos. Mas o tempo vem depois dar-lhes muitas vezes razão!
Mal ia ao mundo, se não despontassem em cada geração espíritos inconformistas, ansiosos de progresso, ousados, a sacudir as paradas águas das ideias feitas. É preciso, caminhar sempre mais e sempre melhor. Caminhar é já, em si mesmo, inconformismo. Caminhar sempre mais e sempre melhor, é responder ao apelo vibrante de Cristo: «sede perfeitos como Vosso Pai  celeste é Perfeito». Ansia  de infinito, fome de Progresso total aperfeiçoamento da Humanidade, eis a tortura das almas com fome de infinito. Os Evangelhos têm andado esquecidos, cobertos de poeira  por essas pobres estantes. Trazê-los hoje para a vida é escaldar como ferro em brasa. Amai-vos uns aos outros! Mas o amor é renúncia do «eu», em beneficio do «tu». Doação de si mesmo para bem de todos. Uma sociedade que se revê na matéria que enobreceu e se esquece dos homens que se degradam na produção dessa mesma matéria, não é sociedade cristã. Quando a fábrica for comunidade de irmãos que se amam se auxiliam, nesse momento deixará de haver a questão social. Para realizar esta comunidade de irmãos chama-nos o Evangelho. Hoje, mais do que nunca, chamamos a cerrar fileiras à volta deste mandamento.»

Nos nossos dias, assinalando o Primeiro de MAIO de 2017, a Plataforma “Compromisso Social Cristão”, publicou um documento sobre a "urgência de avançar numa corajosa revolução cultural". Sugerimos a leitura do documento, que pode ser lido AQUI

MAIO 09, 2017