2014 fevereiro / EDITORIAL - SER SOLIDÁRIO

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SER SOLIDÁRIO

Um estudo desenvolvido pela Universidade Católica Portuguesa e pelo iLIDH - Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano concluiu que  os portugueses mais instruídos e ricos são menos solidários.
No que respeita às Habilitações Académicas, quanto mais se avança nos níveis de instrução, do 1.º Ciclo até ao Ensino Superior, a importância que se atribui à justiça ou à solidariedade vai baixando progressivamente. Com o 1.º Ciclo de instrução, cerca de 83% dos portugueses, gostam de ajudar os outros e acham isso importante. Porém quando se vai subindo até se chegar aos Licenciados, Mestres e Doutorados, essa percentagem vai diminuindo progressivamente e atinge o valor mais baixo: 53%.
Quando se cruzem níveis de instrução com rendimentos auferidos verifica-se que 86,4 % das pessoas que ganham até 500 Euros por mês consideram muito importante ajudar os outros mas essa percentagem vai diminuindo à medida que os rendimentos aumentam. Entre os que ganham mais de 4000 Euros por mês, só menos de metade (46,7%) considera que é muito importante ajudar os outros.
Conclusões semelhantes verificam-se quando as pessoas são questionadas sobre a justiça. Lutar por uma causa justa é mais valorizado nas populações com níveis de instrução mais baixo. Os que têm níveis de instrução superior, só 56,6%, não desvaloriza este aspecto da justiça.
As conclusões deste estudo são preocupantes. Pela positiva temos de reconhecer que as percentagens dos que gostam de ajudar os outros e os que apreciam os valores da justiça, independentemente do seu nível de instrução ou rendimento, ainda são elevadas. Só é pena que sejam os mais cultos e os que desfrutam de maiores níveis de rendimento aqueles que se revelam menos solidários.

Quais as razões desta situação? Muitas respostas poderão ser encontradas mas talvez seja útil reflectir sobre um pequeno trecho da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro 2014):

 «As novas ideologias caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos daqueles que são considerados inúteis».

De facto, como também é referido noutro passo da Mensagem, as inúmeras situações de desigualdades pobreza e injustiça indicam que há uma profunda carência de fraternidade e uma ausência de uma cultura de solidariedade. Vai-se, assim, acentuando a «globalização da indiferença». E esta é uma tendência que todas as pessoas de bem devem combater.

fevereiro 2014

Forum Abel Varzim
A Direcção

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