2015 / EDITORIAL - CORRUPÇÃO - Grave Doença Social

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Corrupção uma doença social grave

Todos sabemos que os fenómenos da corrupção existem nas nossas sociedades, assumindo a forma concessão de favores e favorecimentos, por quem detém alguma forma de poder, e pode envolver grandes quantias de dinheiro. Infelizmente, há muitos sinais de corrupção, com especial incidência na economia e na política. Os seus custos recaem sobre todos os cidadãos. E são sempre muito superiores aos valores desviados e apropriados pelos culpados.

A corrupção favorece escolhas egoístas e particulares, prejudicando a utilização correta dos recursos e deteriorando as decisões económicas e financeiras, tanto a nível local como nacional. Para além de subtrair fundos muito importantes à economia e às políticas sociais, dificulta a prossecução do bem comum, impede o desenvolvimento e destrói o sistema democrático, ampliando os prejuízos.

A corrupção concretiza-se por um conjunto de relações de cumplicidade, de pactos tácitos, de tráfico de influências e de conivências, de ameaças e de chantagens que, atenuando as resistências à sede incondicionada de dinheiro, poder e popularidade, subverte a consciência moral das pessoas e das instituições. Desvalorizando a solidariedade, gera injustiça, pobreza e degradação moral.

Ainda mais preocupantes são os danos relacionados com a qualidade da vida cívica e com o desrespeito da legalidade e das regras de justiça social. Atropelando a subsidiariedade entre os centros de decisão, a corrupção compromete o exercício correto do Estado e o funcionamento normal das instituições, reduz a confiança nas instituições públicas e origina um grave desinteresse dos cidadãos pela política e seus agentes. Envolvida na lavagem do dinheiro sujo, muito facilitada pelos paraísos fiscais, a corrupção é, muitas vezes,  sustentada pelos tráficos de droga, de armas e de pessoas.

O combate ao flagelo da corrupção tem de ser uma preocupação permanente, sendo muito importante que a responsabilidade das ações ilícitas seja explicitada e evidenciada, e que os culpados sejam punidos de forma a promover um comportamento socialmente responsável.

Todavia, para que os corruptores, ativos ou passivos, não permaneçam desconhecidos, ou até consentidos, não basta haver transparência, servida por meios de informação livres e isentos, nem um estado de direito, apoiado num sistema de justiça eficaz. Há ainda que corrigir leis contrárias ao bem comum, e evitar que a moralidade de base seja enfraquecida pela tolerância da transgressão. E, também, é necessário melhorar as condições de vida mais deterioradas e difíceis, proporcionar às famílias condições para exercer a sua missão educativa, e habilitar as escolas a acolher e a emancipar. Só assim o respeito da verdade e a preservação do interesse geral bem como a prática da legalidade e da honestidade substituirão a cultura e a prática da corrupção; e, então, as relações políticas, sociais e económicas passarão a ser baseadas na justiça e na dignidade da pessoa humana, promovendo maior solidariedade e menores desigualdades, prosseguindo os princípios do destino universal dos bens e da preferência pelos mais pobres e marginalizados.

Todos devem colaborar nesta transformação, sobretudo os cristãos, a quem foi advertido que não podem servir simultaneamente ao dinheiro e a Deus, e a quem foram confiadas a missão de ser sal da terra, combatendo a corrupção e dando sabor à vida, e a missão de ser luz do mundo, encaminhando a sociedade para a verdade, a liberdade, a justiça, a solidariedade, a prosperidade e a felicidade.

dezembro 2014

Forum Abel Varzim
A Direção

 

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