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Os Católicos e a Política

Lisboa, 3 de Abril de 2009

No passado dia 3 de Abril, teve lugar no Auditório da Junta de Freguesia de São João de Brito, em Lisboa, gentilmente cedido por aquela Autarquia, uma sessão comemorativa, da marcante intervenção dos católicos na vida política portuguesa, na década de 50, nomeadamente pela produção e distribuição de alguns documentos.

A sessão comemorativa, foi promovida pelo Forum Abel Varzim, pelo Centro Nacional de Cultura e por alguns dos autores dos documentos produzidos na época.


 

A mesa foi constituída por Guilherme de Oliveira Martins, João Miguel Almeida e Nuno Teotónio Pereira, que usaram da palavra.

Os oradores historiaram a actividade empreendida na época de 1950/60, por altura das eleições para a presidência da república, (8 de Junho de 1958) em que foram candidatos, Américo Tomás, Arlindo Vicente e Humberto Delgado.

 

Fotografia de Américo Tomás
Foto de Cardeal Cerejeira
Foto de Humberto Delgado

 

Estas eleições marcaram uma época e desencadearam inúmeras iniciativas, levando os católicos a tomar consciência, de que não poderiam mais limitar a sua actividade apostólica a meras acções de solidariedade social, mas a empreender acções concretas de intervenção política directa e activa.

Foram lembradas as diversas deslocações pelo país, para contactos com inúmeras personalidades, algumas das quais se encontravam em Portugal por imposição da PIDE, e a intervenção marcante de Francisco Lino Neto, na composição da maior parte dos textos.

No encontro foram lembrados três textos:

O primeiro: Uma carta ao director do Jornal Católico «Novidades», lamentando o acolhimento dado por aquele periódico ao candidato do «regime» Almirante Américo Tomás.

Naquele documento pode ler-se: «…a quase exclusiva publicidade e o manifesto desenvolvimento e destaque que estão desde o princípio a ser dados, nas páginas de «Novidades», a uma única candidatura, das três que disputam a eleição presidencial. Este comportamento do jornal, apesar de não ser acompanhado por expressas declarações de apoio a essa candidatura, não pode deixar de ser coerentemente interpretada como tal…»

O segundo: Um documento intitulado

«AS RELAÇÕES ENTRE A IGREJA E O ESTADO E A LIBERDADE DOS CATÓLICOS»,

documento este assinado por 43 católicos, em que se lê :

«…Tudo demonstra o alcance da intervenção do sr. Bispo do Porto ao chamar a atenção para o «mito do regime político, o qual confunde técnicas de organização política com valores morais ou mesmo com o Evangelho, identificando-se com a realização histórica do reino de Deus» (lbidem).

A intervenção do sr. Bispo do Porto é considerada por muitos partidários do Estado Novo interferência no domínio político…»

O terceiro: Uma carta a Carta a Salazar com o sob titulo,

«Os serviços de repressão do regime empregam métodos que uma consciência humana bem formada não pode tolerar e um espírito cristão tem necessariamente de repudiar»,

subscrita por 45 cidadãos.

 

Carta ao "Novidades"
Abaixo Assinado Carta a Salazar