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Fórum Abel Varzim - Desenvolvimento e Solidariedade
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Forum Abel Varzim - Desenvolvimento e Solidariedade

europa A Europa é uma Construção Ainda Frágil

 

 A Europa é uma construção ainda frágil. Quanto mais fortes e esclarecidos são os seus líderes, mais sobressai a grandeza do projecto. Mas tantas vezes o que parece é que falta um projecto.

Num mundo interdependente como é o nosso, as pequenas unidades políticas podem assegurar as tarefas referentes às necessidades mais imediatas ou mais ligadas às questões das culturas dos povos. Mas os grandes desafios só podem encontrar soluções consistentes em grandes espaços políticos.

Com implantação nas mais variadas regiões do planeta, desde há muito existem inúmeras entidades mais fortes e mais poderosas do que muitas das actuais unidades políticas a que chamamos Estados. As sociedades democráticas têm de encontrar formas de organização que, em nome dos povos que representam, assegurem a protecção dos interesses legítimos e gerais das comunidades contra os interesses particulares e normalmente egoístas daquelas entidades.

Os povos precisam de instâncias de decisão política que regulem a segurança, a economia, as finanças, a defesa do ambiente, a paz entre as nações.

O espaço europeu é herdeiro de uma cultura, rica de séculos, que influenciou todo o mundo, a partir da primeira globalização que foram os Descobrimentos. Mas agora os países europeus isoladamente pouca influência conseguem ter no evoluir da humanidade. E isoladamente não têm capacidade de resposta às ameaças que pairam sobre as nossas cabeças. E isoladamente não conseguirão assegurar um desenvolvimento sustentado que promova o bem-estar dos seus cidadãos e que contribua para o progresso dos povos menos desenvolvidos.

São assim indispensáveis instâncias comunitárias dotadas de poderes e de órgãos que assegurem a defesa intransigente dos interesses legítimos dos povos e do essencial das conquistas do modelo social europeu.

Será talvez a altura de se avançar sem falsos temores para níveis mais elevados de integração europeia, nomeadamente ao nível económico, diplomático e de defesa, onde a verdadeira força dos Estados se afirma.

SETEMBRO - 2010

                                                                                              Direcção do Forum

 

Pode consultar a edição 3 do TRANSFORMAR ON LINE  agora na forma newsletter.

Transformar

 
hiperO domingo feriado é um pilar do modelo social europeu e uma questão de importância capital para os trabalhadores europeus e suas famílias

 

Em Portugal a discussão do trabalho dominical tem sido reduzida à defesa dos pequenos comerciantes, face à proliferação de grandes superfícies comerciais. De facto, estas últimas entidades, beneficiando de um regime de horários de atendimento que abrange todo o dia de domingo, «roubam» muitos clientes aos pequenos comerciantes.

Continuar...
 


Do Movimento ATD QUARTO MUNDO,

recebemos a seguinte MENSAGEM DE VERÃO 2010 

atd«Queridos Amigos, 

Estamos em pleno Verão, nesta nossa Europa de onde vos escrevemos. Sabemos que muitos de entre vós vivem no hemisfério sul, e que esta ideia do verão pouco sentido terá para quem vive num clima equatorial ou tropical. Mas, para nós, é muito importante: sol, férias... e, para muitos dos mais pobres, ainda mais isolamento e mais dificuldades.

Achámos que era uma boa ocasião para vos escrever, e para vos enviar um texto escrito por Gabrielle Erpicum, uma voluntária do Movimento ATD Quarto Mundo, relatando uma experiência vivida por um grupo de voluntários.»  

 

Ler texto de Gabrielle Erpicum


 

O ESTADO E O MERCADO SÃO

COMPLEMENTARES

dinheiro1A crise que atravessamos não pode ser só atribuída ao abuso do poder económico-financeiro. A Regulação também foi responsável por muitos desacertos. Razão porque devemos promover o Mercado tanto quanto possível mas mantendo o Estado enquanto necessário, sempre em cooperação e vigilância recíproca.

O Mercado tem demonstrado ser um bom sistema de selecção de processos produtivos e de alocação de recursos. E até originou uma onda de excesso de confiança na capacidade de se auto regular e de gerar desenvolvimento para todos. Bolha que se extinguiu repentinamente causando a crise de 2008 de que ainda nos não livramos.

Como refere Bento XVI: «O mercado, se houver confiança recíproca e generalizada, é a instituição económica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimensão de operadores económicos que usam o contrato como regra das suas relações e que trocam bens e serviços entre si fungíveis, para satisfazer as suas carências e desejos» (CV 35).

O Mercado tem defeitos e falhas, e para bem funcionar tem necessidade de evitar procedimentos que deteriorem a coesão social ou desfavoreçam as famílias e os indivíduos com menos possibilidades de actuar no mercado ou mais desprovidos. Por isso, o Mercado não pode funcionar bem sem um Estado que defina obrigações e regras, e assegure o seu respeito através dum sistema judicial eficaz, bem como o de acordos complementares livremente negociados.

Há questões que, antes de serem microeconómicas e poderem ser confiadas ao Mercado, são políticas, e devem ser tratadas pela Regulação, nacional e supranacional. Razão porque a delimitação do âmbito de acção do Mercado e a compensação das suas falhas e imperfeições têm sido confiadas a instituições especializadas, com a designação genérica de Reguladores, que actuam na interface entre o Mercado e o Estado, desejavelmente com grande autonomia dos poderes económico e político-partidários.

A Regulação, autónoma mas não independente, deve subordinar-se às instituições do Estado e obedecer às suas directivas e leis, de que assegura o desdobramento e a concretização no respectivo campo de actuação, através de regulamentos e normas.

A crise que atravessamos não pode ser só atribuída ao abuso do poder económico-financeiro ou ao excesso de confiança nos agentes do Mercado. Por défice e omissão, a função Regulação também foi responsável por muitos desacertos. É certo que vinha sendo sucessivamente desvalorizada pelo poder económico… e pelas autoridades políticas que alinharam na onda de que o Mercado era auto-suficiente. Falava-se demasiado em desregulação e de menos em nova regulação, adaptada e actualizada para os novos mercados, mais globalizados e com agentes mais poderosos.

O comprometimento de grupos privados bem organizados e com fortes acções de lobbying, sobre os centros de decisão em geral e sobre a Regulação em particular, não pode ser esquecido nem desculpabilizado.

Igualmente, o poder cultural, detentor do conhecimento e defensor dos valores éticos e do bem comum, não soube ou não pode apoiar-se em meios de comunicação independentes dos poderes económicos e políticos para impedir ou limitar a crise.

Na reacção a ameaças então eminentes, o poder político exagerou nos recursos, auto dispensou-se das regras de transparência e de prudência sobre delimitação de riscos, e também ultrapassou os limites de confiança, prolongando a crise. O que evidenciou que, quer o poder económico, quer o poder político, se devem manter separados, autónomos, equilibrados, democraticamente distribuídos e subordinados a regras supranacionais e constitucionais de delimitação de esferas de competência e de recíproca moderação e fiscalização. E devem cooperar no prosseguimento do Bem comum, sem procurar o predomínio de um sobre o outro.

Direcção do Forum

2010 AGOSTO

 

praia

O direito às férias

O mês de Agosto é, tradicionalmente para a grande maioria dos portugueses, o mês das férias. Trata-se de um período de descanso a que têm teoricamente direito, empregados, estudantes, trabalhadores por conta própria, colaboradores que desenvolvem actividades não remuneradas e mais recentemente os aposentados.

No sentido etimológico a palavra férias, provém do latim «feriae – arum» (feria –ae, no singular) e que entre os Romanos significava o dia em que não se trabalha por prescrição religiosa.

Esta palavra «feria» encontra-se também associada aos dias da semana. O Imperador Constantino, que se converteu ao Cristianismo (Sec III depois de Cristo) entendeu santificar os dias da semana: Prima feria, Secunda feria, Tertia feria. Quarta feria, Quinta feria, Sexta feria e Septima feria. No século IV, o termo Prima feria foi substituído por Dominucus dies (Dia do Senhor) e septima feria foi substituído por sabbatu. A língua portuguesa foi a única língua latina que manteve a palavra feira nos nomes dos dias da semana.

Como vimos as férias que tiveram um sentido religioso, com o evoluir das sociedades transformaram-se rapidamente num espaço dedicado ao lazer, ao descanso e à prática de actividades que não podem ser desenvolvidas durante a grande parte do ano.

Hoje sobretudo no mundo do Trabalho as férias constituem um direito inalienável, até com direito a remuneração extra. É bom, é louvável que esse direito seja respeitado. Médicos, psicólogos, psiquiatras, sociólogos são unânimes em reconhecer a importância e efeito benéfico das férias. Quem vive uma vida intensa tem necessidade de encontrar em período, um pouco mais longo que um fim-de-semana, para recuperar energias e acumular forças para o enfrentar um novo ano.

Lamentavelmente, muitas famílias, por razões de ordem económica, não gozam férias ou gozam-nas de forma deficiente. Lutemos para anular ou reduzir estas situações e lutemos para que o direito às férias fique inscrito no Código dos Direitos Humanos e seja praticado em todos os lugares da Terra.

António M. Soares

Sócio do Forum

 
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